Minha fase azul

Essa é minha fase azul
Dor bate na porta
Como um blues
De uma sinfonia torta
Toda natureza é morta
Que nem o sonho que seduz,
Mas no fundo te sabota

Embriagado em referências
Tenho notado
Que apesar das competências
Não tenho achado
O que me fez rir no passado
Realmente engraçado
Sinto que tem apenas explorado
Nossas deficiências

O futuro não parece incerto
Parece muito perto
De um desastre
Preferia quando era deserto
E não era vendido como oásis

~

Não quero mais uma estrutura

Para formatar minha escrita

Quero que a vida seja saída

Das estruturas que ela própria cria

O que diria já disseram não fazer sentido

Pode parecer antigo, mas pelo antigo não daremos ouvido

Tenho sentido que os fantasmas do passado

Tem dominado, conquistado e festejado

Vendo previsíveis narrativas que nos temos apoiado


O que tenho incentivado?

Me pergunto, mesmo achando o poder de incentivar questionável

Pouco provável

Saberemos o que realmente é indispensável

Do que parece ser descartável

Inconsolado deixo de lado o que não tinha deixado

Vermelho como brasa

As vozes silenciosas
De tudo que ainda está aqui
E está esquecido
Histórias nossas
Que nunca ouvi,
Mas tenho sentido


Tudo que veio
Também tirou um pouco daqui
Nunca percebi
Que parte que me traz me tira
Que me faz se vira
Contra mim mesmo


Em segredo
Somos heróis e vilões
Resultado do erro
De tantas nações
Se unificando geograficamente
E se afastando politicamente

Experiências passado/presente

O que corre em suas veias é ignorado
Quem se importa com o que é dado
Como passado
Se o novo é interativo
Já te dá motivo
Para sair de casa,
Mas passa
E para vida não é levado


A experiência é registrada
Enlatada e muitas vezes ignorada
A imagem pode valer mais que mil palavras,
Mas nela nada se reflete
Tudo remete
As experiências copiadas
E em nada
A existência é ressignificada


Me sinto velho reclamando
Sei que tudo muda e deve mudar
Sigo indagando,
Mas acho que o pior é parar
De pensar