Os passos do amanhã

Inimaginável os passos do amanhã
Inevitável é a sua mudança
Abala toda mente sã
Nos faz sentir como criança
Incerteza se depois de segunda é terça

E o que me resta?
Que me faltou?
Onde estou na minha vida?
Existe saída?
Algo ficou?

Sou retalhos de memórias
Parte pessoa parte histórias
Que alguém inventou
Ouvir a mudança me animou
A nostalgia me segurou

Repenso aquilo que não pensei
Vivo regras mesmo sem lei
Penso no que deixei,
Mas me preocupa não deixar
Trabalho

Me desfaço de certezas como uso passes
Com as respostas não faço as pazes.
Apenas as uso
Me sinto seguro do viver inseguro
Na constante ansiedade de viver o futuro

Minha fase azul

Essa é minha fase azul
Dor bate na porta
Como um blues
De uma sinfonia torta
Toda natureza é morta
Que nem o sonho que seduz,
Mas no fundo te sabota

Embriagado em referências
Tenho notado
Que apesar das competências
Não tenho achado
O que me fez rir no passado
Realmente engraçado
Sinto que tem apenas explorado
Nossas deficiências

O futuro não parece incerto
Parece muito perto
De um desastre
Preferia quando era deserto
E não era vendido como oásis

Eu precisava chorar
Os compromissos secam lágrimas
Como o sol do meio dia
Adia o virar das páginas

Os capítulos se fecham
Como fecha o tempo
E o momento torna adiável
Inadiável sofrimento
Num tormento sufocado

O estrago do temporal
Por ventania sentimental
Não é noticiado
Permanece enterrado
Porque são janelas da alma que não temos