Sonho que some

Eu já não sei
Tudo que pensei
Nem tentei

Porque passou
Sem a atenção chamar
Se jogou em um mar
De pensamentos que deixei
Porque neles não me encontrei

O que chega a costa
É sequestrado pela ressaca
A única coisa exposta
É o volume do nada
E o que me importa
Continua uma charada

Meus olhos tocam o horizonte
Refletem a fome
De estar distante
Desse sonho que some

~

O alívio se fez mito
E eu insisto
Que falta alguma coisa
E tudo de torna um misto
De consequência e escolha

O objetivo parece malquisto
Porque faz o imensurável palpável
Até o alcançar o seu desencontrar

Desencantar uma pessoa
A fará buscar um novo sonho
Porque sobre o que caçoa
A faz de rebanho
Pela escolha que nunca a deixou ter

~

Os gostos escorregam da boca
Entra um amargor
Da vida agora oca
Chamando com a dor
De uma garganta rouca

Muita coincidência é pouca
E parece louca
A ciência de que encontrar
Não tem o mesmo sabor que deixar
Qualquer lugar

O chegar te faz pensar
Por que sair?
Mentir que não está bom
Ou se iludir ao lembrar
O passado fora de tom?
Quem realmente sabe o que pedir?

Olho olho

Não sei porque penso em pensar muito em você
Não sei porque também fico na frente da tv
Se quem te vê não sabe que a história não prevê
Tudo o que interfere e fere olhos de quem vê

Não racionalismo me jogo
Teu olho olho
Mergulho na profundeza
Daquela avareza
Que quer me vender meus sonhos
Pouco me importo que noto
Que já me são estranhos
Nós detalhes


~

Tenho medo de perder o controle
Até o controle que não tenho
Esses dias venho refazendo o desenho
De tudo aquilo que o mundo soube
Procurando perspectiva positiva
No meio da vida niilista
Que a sociedade imita
Tentando não distorcer
As linhas narrativas que vem a mover
Para não esquecer sem cura
O que a palavra não muda

~

O quanto vale minhas conquistas?
Tem dia que quero a vida,
Mas não quero a minha
Que encontro saída,
Mas não quero fugir
Tem dias que até gosto das derrotas sofridas

Às vezes todo significado
Não vale um momento vazio
Que a falta da a rima, dá a beleza
E a metáfora é o natural
Não vejo propósito em negar

Não vejo proposito em negar
Nem necessidade disso para afirmar
Querer acordar mais um dia
Já que todo momento é ar
E tudo que fez foi porque ardia