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As janelas mostram a chuva dentro
Todo instante é complemento
Daquilo que por um momento
Pareceu preencher para ao esvaziar
Se tornar ainda mais vazio
Para te fazer enxergar
Quão violento é o sutil

Os espaços corroem mais que as gotas
Chovem perguntas
Cada com menos respostas que as outras
E todas intenções são segundas

Inverno

Dos caminhos eu apenas não sei
Querida, por onde vamos ir
Se nunca tentei não pode sentir
E é válido se por ti errei
Não temo o que encontrarei
Do frio não posso te fazer gostar,
Mas deve ter confortar
Saber que dentro de meu coração gelado
É as lareiras que queimam nas casas
Então me deixa em brasas
Para suportarmos o inverno

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De todas as estrelas me chama atenção seu brilho
Me fará a noite enxergar ou brilhará comigo
Somos os corpos em orbita dançando dentro dela
Porem sua luz pouco me revela

Não cruzarei seu caminho
Nem penso em deixar espinhos
Mas como somos secretos
Poderíamos nos sincronizar
Já que orbitar é amar
Aquilo que nos dá sentido

Pestilento me torno atento a todo o momento que desequilibra o sentimento

Um reflexo

Me diz se minhas palavras condizem
Com os atos que as interações conduzem
Me diz se o brilho em seu olhar não é
Só um reflexo do meu
Queria saber para onde vou até
Ou se meu sentimento excedeu

Sonhos, pensamentos, momentos
Invadem minha cabeça como um cheiro bom
Encontro todos os elementos
Dos melhores dias ou de uma confusão
Analiso tom por tom
Para ver se desbotados estão

~

Será que você me fará escrever um novo poema de amor?
Será que você me fará rever as coisas com cor?
Levo essas dúvidas comigo aonde eu for
Apenas uma ideia existe e ela insiste
Em ser toda ideia que em mim habite

Teus olhos me confundem
Tua voz me ilude,
Mas pontos minha mente unem
Acabando com minha saúde
Minha mente presa em círculos
Em seus capítulos

~

Algo em você me chama
Como uma intuição
Percebo que me engana
Porque essa sensação
É minha própria criação

Meu coração reclama
Sentimentos que nunca deu
Minha alma inflama
Com os sonhos que ela perdeu
E mesmo assim clama
Que o problema sou eu

Mas é verdade
Pois a realidade
Me foge
Por vaidade
Falsa identidade
Me engole

Só espero que eu restrinja
Essa dor aflita
Para não conhecer
E não refletir em você